CAN ANYBODY FLY THIS THING?
Eu assusto as pessoas. E é para assustar mesmo. É porque só me aguenta quem... Sei lá. Porque vocês me aguentam, hein?
E depois de tanto tempo volto para o Vinícius (meu computador chama Vinícius) e para a porra da internet discada. Fazer o quê? E o final de semana de quatro dias acabou com o meu salário. E a semana foi foda, difícil e pesada. Horrorosa. Stress no serviço, atolada na faculdade. Emoções me engolindo e tem que aguentar isso tudo sorrindo, porque afinal de contas nem tem outro jeito mesmo.
Quarta-feira, saindo do serviço com a Fá, voa uma pedra no ônibus. Terror. O vidro estoura, a pedra cai a dois metros de mim. Uma pedra gignte. Estilhaços do vidro arranham o pescoço do trocador, o único passageiro que ia na frente passa a roleta desesperado, os olhos esbugalhados de medo. Todo mundo acha que é tiro. Desespero. O motorista pára o ônibus e vai procurar o responsável. Mais medo. Medo de ficar parada, trancada, sem ter o que fazer, sem ter como agir. Uma pedra atingiu o meu lugar favorito do ônibus, aquele banco alto antes do trocador, e se eu estivesse lá? A cabeça partida no meio, morta em um lugar horroroso. Pânico. E se tivesse acertado o trocador e ele morresse na nossa frente. Eu não ia aguentar ver esse tipo de sangue de novo. Rio, como sempre rio das 'tragédias'. Passou, vamos embora logo! Demora para sair dali, cabeça em dois mil outros lugares além de ali. Vivas, com mais uma aventura vivida. Mas vivas. Mais vivas?
Quinta-feira, o maior stress de todos. Como se eu já não estivesse nervosa o bastante. Vou chorando para a faculdade, brigo com a amiga no telefone, pego o táxi para chegar quase na hora, sem condições nenhuma de fazer uma prova oral. Professor carrasco, irônico, metódico e frio. Alunos mal preparados e nervosos. Ninguém sabe como agir. Péssima prova, péssimo dia. E aí? A gente vai ser ver? 'Não.' Morri naquela hora. Não precisava de mais nada. Desabei em lágrimas e tentei me esconder. Não me deixam só, querem me ajudar, não sei como desabafar com eles. Mas eles chegaram e começaram a conversar comigo e eu sei que não estou sozinha nessa merda de revolta com a vida. Todos os planos sumiram e eu precisava de um novo. E Bar do Zé e eclipse do lado de alguém muito gato e alguém muito querido e alguém muito sutil. Conversas inacreditáveis, uma menina que gosta muito de chamar atenção, um menino que gosta inexplicavelmente de mim. Um homem que olha na minha alma e me dá arrepios. Um cara que lê meu blog, sabe meus segredos e os mantém assim, secretos, se abre comigo. Surpresa, vamos para A Obra. Você sabe que eu leio seu blog, não sabe? 'É, eu também leio o seu.' Sorriso. 'Você escreve muito sobre...' Não consigo lembrar o final dessa frase. Uma conta de quase 50 reais. Carona, casa de conhecida, incômodo, amigas discutindo, alguém muito triste. Sono, despertador, táxi, cigarro, trabalho, rotina.
Sexta-feira me dei o direito de nem aparecer na faculdade. Ótimo. Vou descansar. Qual o quê! Me liga uma louca. Another teenager night. Pelo menos a gente ri bastante e fica quase (ou muito) bêbada e anda de carrinhos de supermercado. E leva a irmã para o crime. E compra ioiô.
Sábado. Ansiosa. Encontro com toda a crew, todo mundo junto e feliz de novo? Ele chegou, eu vi mas não consegui cumprimentar. 'Por que ele não vem aqui?' 'Porque é bicha!' Todo mundo bonito, é bom ver as pessoas assim. Obra lotada, muita gente conhecida espalhada por todos os lados. Pessoal da net, pessoal da PUC, pessoal da Obra, pessoas, pessoas, pessoas. Muita vontade de fazer xixi, fila do banheiro enorme, vamos no banheiro masculino. Inícios de desentendimentos, eu estava decidida. Tenho que encostar na parede, pressionar, insistir, insistir, pegar no pé, persistir, isso tudo só para conseguir chamar de namorado. Mas conseguimos. E depois eu cochilei, cedi finalmente. Sanduíche gostoso. ônibus com duas pessoas, pergunta se essa pessoa não conhecia alguém que eu conheço? Merda de roça, roça linda, como amanhece lindo nessa cidade!
Hematomas na perna, cortes e machucados. Uma dor de domingo que eu conheço há muito. Show do Los Hermanos na TV, queria estar lá e rir daquela figura de cabelo comprido e grande ao vivo. Especial dos Beatles, atraso, correria, consegui ver o filme. X-men 2 na tela grande ao lado de amigos. A melhor metáfora para a adolenscência. No meu caso, a melhor metáfora da vida. Um dos diálogos mais significantes do cinema, uma coisa boba que reflete coisas para caralho. Lanche bom, papo gostoso, alívio de um trabalho que eu não ia saber como fazer, retorno para casa. Mais um ônibus com duas pessoas.
'Quem está sempre assistindo, esperando o que vem depois, nunca age. Assim deve ser o bom espectador.'
E enquanto isso a confusão que impera neste post impera na minha vida. E ele foge de mim.
[...]
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