WOULD YOU MAKE ME?
Às vezes eu "simplesmente" sinto nojo de mim mesma. Só isso. E tento não morrer de vergonha por ter tanto nojo de mim mesma.

Não reparem, não, é só porque a luz aqui do quartinho não decide se quer ficar acesa ou apagada e porque eu estou gripada há uns vinte mil anos e agora minha menstruação está chegando e eu não consigo parar de tossir. Sério. Vocês não sabem o que é acordar de hora em hora porque está tossindo de uma maneira que parece que a sua garganta vai pular para fora do seu corpo levando junto tudo entre ela (a garganta) e a bexiga. Horrível. E o constrangimento? Se antes eu ligava o som no máximo para ouvir as músicas do jeito que eu gosto, hoje eu ponho só para não ouvir os comentários chatos ao meu redor. E eu morro de vergonha por estar atrapalhando a vida de todo mundo com a minha irritante e agoniante tosse, mas odeio muito mais os olhares que me lançam evidenciando que eu sou esse impecilho. Pessoas, acreditem, eu sofro muito mais com isso do que vocês podem imaginar. Tanto que eu chego a pensar seriamente em cortar a minha garganta só para não tossir nunca mais.

Aí vem aquele velho, batido e inútil discurso: 'pára de fumar, oras!' Tudo bem, eu compreendo. Parece matemática mesmo, como somar dois mais dois: ela fuma e tosse por causa disso. Olha, se vocês me conhecessem há tanto tempo quanto eu tenho esses ataques de tosse, eu até parava para ouvir vocês. Lembro d'eu caindo da cama quando eu devia ter uns cinco anos, batendo com a cabeça primeiro no chão e depois no pé da cama, ter ficado me retorcendo no gélido assoalho do meu quarto por momentos que parceram ser horas até a babá conseguir ligar o oxigênio e enfiar aquela máscara na minha boca. Tudo para eu tossir por mais meia hora incessantemente em meio de lágrimas de desespero e ódio (minhas, da babá e da minha irmã), enquanto meus pais deviam estar providenciando uma ambulância (ou o serviço funerário) por ali. Depois do inferno parei de tossir e voltou todo mundo a dormir. Normal, não?! Bom, isso antes de eu começar a fumar.

Daí eu comecei a fumar e, simultaneamente, passei a me tratar com um alergologista, que finalmente desferiu o veredito: alergia a batata, milho, laranja e tomate. Pronto. Descoberto o problema, né?! Agora eu páro de tossir. Bah. Pura besteira. Daí eu comecei a tomar as vacininhas dele e parei de comer essas coisas que eu tanto adoro. Três meses depois, na mudança da umidade do ar (como sempre), lá vem a maldita tosse de novo. Ok, agora devia ser culpa do cigarro. Então eu parei de fumar. Por nove meses. E nesse período eu tive mais três ataques de tosse. Sendo sempre o mais rigoroso no inverno. Ótimo, né?! Então eu desisti de me privar e voltei. Pro cigarro, pras batatas, pras laranjas, pros tomates e pros milhos.

Bom, agora os ataques são menos ferozes, acho que estou menos frágil às mudanças climáticas. Mas as crises duram mais tempo. Não se pode ser feliz mesmo, não é?!

E eu que já não conseguia dormir normalmente por N coisas se remexendo aparentemente sem motivo na minha cabeça, agora encontro ainda mais dificuldades para tal ato. Isso porque meu chefe me deu um ultimato hoje para eu chegar no serviço no horário...

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