Tinha uns nove anos e andava muito de ônibus com a minha mãe pela cidade inteira. Fazia tudo o que podia para fingir que estava sozinha, que era independente, que não tinha ninguém comigo. Sentava em um banco longe, sempre andava uns três metros adiante da minha mãe e curtia a distância e a solidão faz-de-conta. Alguns ônibus não mudaram de trajeto até hoje, assim como não mudou a minha mania de simular solidão. Solidão é uma palavra pesada para caramba, mas não consegui encontrar nenhuma melhor (ainda).
Apesar de ser essa pessoal suuuper social que lembra de nomes e problemas de quase todo mundo, tem um lado meu que é fascinado com ficar sozinha. Exatamente por poder mergulhar no social tão despreocupada, sinto-me completamente segura em enfrentar momentinhos completamente desamparada.
Eu adoro me trancar durante horas no quarto, incomunicável, e de sair para passear sem ter que conversar com ninguém e de ir ao cinema sozinha. Principalmente ir ao cinema sozinha é uma experiência que eu faço questão.
Ontem, quando saía do cinema acompanhada da minha querida Lets, encontrei o Zecão pronto para começar sua própria tradição de ocupar uma cadeira só no cinema. Bem vindo ao clube, Zecão!
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