Eu sempre fui boa aluna. Prestei muita atenção (e me maravilhei) quando os professores diziam e repetiam que minha obrigação era ter soluções criativas, inovadoras, mas sem esquecer dos problemas financeiros da empresa/organização/instituição onde trabalho.

Ok, vamos lá enfiar a cara no mercado então. Já falei várias vezes que aqui é um lugar muito diferente, que as pessoas que trabalham aqui vivem em um mundo que eu realmente não conheço, que perto delas eu posso ser considerada RICA mesmo etc.

Pois bem, elas continuarão exatamente onde estão, para sempre e todo sempre, ignorando mais da metade das coisas maravilhosas que tem no mundo e achando que arroz e feijão se come todo dia, mesmo que o prato principal seja peixe ou lasanha.

Odeio pobre. Odeio mesmo. Odeio a mim mesma por chegar a essa conclusão, mas não dou mais conta de conviver com quem não sabe conversar, não sabe perguntar, não tenta experimentar e acha que fazer um churrasquinho no terreiro protegido da chuva por uma lona que tem que ser erguida com a colaboração em todos é uma festa muito melhor e mais divertida do que ir num lugar que eles não conhecem e nunca nem tentariam experimentar porque só vêm de longe e (obviamente) não se informam sobre o que acontece por lá.

Ai que nojo do meu elitismo, mas eu não dou conta. Fiz o maior esforço, suei no orçamento, negociei e consegui um pacote interessante em uma churrascaria das menlhores de BH, com buffet internacional, carne de primeira, ambiente amplo e agradável e ainda fiz isso tudo caber no orçamento.

Na verdade, planejei tudo para que as pessoas pudessem sair do cotidiano, experimentar coisas novas e restaurar as esperanças, porque esse povo daqui é fraco demais de esperanças.

E o retorno que recebo pode ser traduzido assim: "Mas quem come lá ganha R$15 mil por mês e gosta de almoçar em silêncio!" ou "Lá não é a favela."

p.s.: A referência pobre do título é proposital, descobri que esse é meu apelido.

Categories:

    Por aqui

    Por aqui
    Desde 2003

    Últimos 30 dias