Mais um calendário termina. É hora de trocar a folhinha. Não posso dizer que esse será um ano mal lembrado, afinal de contas me livrei de dois grandes fardos da minha vida: a faculdade e o primeiro emprego traumatizante. Colocando tudo na balança, 2005 foi um ano ótimo, ótimo mesmo.

Eu curto o esquema de ano novo, vida nova, renovemos nossa esperança e que 2006 seja muito melhor do que 2005 e blablabla.

Apesar de que nos dois últimos meses não tenho lidado muito bem comigo mesma e que tenho tomado decisões (grandes e pequenas) de maneira que não costumaria fazer, despeço-me desse ano com um grande sorriso no rosto e ótimas memórias na lembrança.

Por exemplo, estou aqui postando na varanda da casa dos pais do Bruno, esperando por um jantar maravilhoso ficar pronto e tirando nota 10 na tarefa de ignorar o pagode/axé que toca num churrasco na laje mais próxima.

Enfim, eu só queria exibir o fato de que uso nesse momento um Vaio e estou conectada através de wireless, além de desejar a todos um 2006 magnífico e memorável.

E sejamos bonzinhos para que em 2006 Papai Noel traga muitos presentes para a gente!
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O artista é o criador de coisas maravilhosas.
Revelar a arte, esconder o artista é a meta da arte.
O crítico é aquele capaz de traduzir para uma outra maneira, ou para um novo material, sua impressão das coisas maravilhosas.
Tanto a forma mais elevada como a forma mais baixa de crítica é um modo de autobiografia.
Os que descobrem significados feios nas coisas maravilhosas são corruptos deselegantes. Isto é um erro.
Os que descobrem significados maravilhosos em coisas maravilhosas são os ilustrados. Para estes, há esperança.
São os eleitos, para quem as coisas maravilhosas significam apenas beleza.
Não existe isto de livros morais ou imorais. Livros são coisas bem escritas ou mal escritas. É só.
A antipatia do século dezenove pelo realismo é a fúria de Caliban vendo seu rosto no espelho.
A antipatia do século dezenove pelo romantismo é a fúria de Caliban não vendo seu rosto no espelho.
A vida moral do homem faz parte do tema do artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito.
Nenhum artista deseja provar coisa alguma. Até mesmo as coisas verdadeiras podem ser provadas.
Nenhum artista possui simpatias éticas. Num artista, a simpatia ética é um maneirismo de estilo, imperdoável.
Não há artista mórbido. O artista pode expressar qualquer coisa.
O pensamento e a língua são, para o artista, instrumentos de uma arte.
O vício e a virtude são, para o artista, matéria de uma arte.
Sob o ponto de vista da forma, o tipo de todas as artes é a arte do músico. Sob o ponto de vista da sensação, o ofício de ator é o tipo.
Toda arte é, ao mesmo tempo, superfície e símbolo. Os que descem além da superfície, fazem-no a seu próprio risco.
Os que lêem o símbolo, fazem-no a seu próprio risco.
É o espectador, e não a vida, que a arte, na verdade, espelha.
A diversidade de opinião, a respeito de uma obra, mostra que a obra é nova, complexa e vital.
Quando os críticos discordam, o artista está em acordo consigo mesmo.
Podemos perdoar um homem por fazer uma coisa útil, desde que ele não a admire. A única desculpa para se fazer uma coisa inútil é que a admiremos com intensidade.
Toda arte é demasiado inútil.


WILDE, Oscar. O Retrato de Dorian Gray. Porto Alegre: L&PM, 2001.
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Namoraram mais de três anos. Durante esse período, ele perdeu a mãe, perdeu o pai, (praticamente) mandou o irmão para a prisão, reatou relações com os dois filhos e adquiriu crises de gastrite constantes. Ela lhe apoiou o tempo inteiro, conseguiu para ele dois empregos, ajudou na reforma da casa, segurou as barras mais inimagináveis, enfrentou um machismo do século 18, perdeu o contato com as melhores amigas e um bocado da auto-estima através de humilhações indescritíveis. Até o dia em que ele encontrou jesus e largou das drogas, da bebida e da namorada.

Agora, pergunta se é justo?
Eu não acho.

É por essas e outras que eu me pergunto diariamente:
SE JESUS ERA BATUTA, PORQUE SÓ ATRAI FILHO DA PUTA??
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(...)
Socorro! Não estou me entendendo! Não consigo me controlar! Parece uma TPM eterna, minha língua é pior que facas... blablablabla

"...natural, com toda essa desonestidade à sua volta e tantas decepções acumuladas, sua sinceridade está passando da conta..."
(...)
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Eu sempre fui boa aluna. Prestei muita atenção (e me maravilhei) quando os professores diziam e repetiam que minha obrigação era ter soluções criativas, inovadoras, mas sem esquecer dos problemas financeiros da empresa/organização/instituição onde trabalho.

Ok, vamos lá enfiar a cara no mercado então. Já falei várias vezes que aqui é um lugar muito diferente, que as pessoas que trabalham aqui vivem em um mundo que eu realmente não conheço, que perto delas eu posso ser considerada RICA mesmo etc.

Pois bem, elas continuarão exatamente onde estão, para sempre e todo sempre, ignorando mais da metade das coisas maravilhosas que tem no mundo e achando que arroz e feijão se come todo dia, mesmo que o prato principal seja peixe ou lasanha.

Odeio pobre. Odeio mesmo. Odeio a mim mesma por chegar a essa conclusão, mas não dou mais conta de conviver com quem não sabe conversar, não sabe perguntar, não tenta experimentar e acha que fazer um churrasquinho no terreiro protegido da chuva por uma lona que tem que ser erguida com a colaboração em todos é uma festa muito melhor e mais divertida do que ir num lugar que eles não conhecem e nunca nem tentariam experimentar porque só vêm de longe e (obviamente) não se informam sobre o que acontece por lá.

Ai que nojo do meu elitismo, mas eu não dou conta. Fiz o maior esforço, suei no orçamento, negociei e consegui um pacote interessante em uma churrascaria das menlhores de BH, com buffet internacional, carne de primeira, ambiente amplo e agradável e ainda fiz isso tudo caber no orçamento.

Na verdade, planejei tudo para que as pessoas pudessem sair do cotidiano, experimentar coisas novas e restaurar as esperanças, porque esse povo daqui é fraco demais de esperanças.

E o retorno que recebo pode ser traduzido assim: "Mas quem come lá ganha R$15 mil por mês e gosta de almoçar em silêncio!" ou "Lá não é a favela."

p.s.: A referência pobre do título é proposital, descobri que esse é meu apelido.
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O Pedro resolveu falar de política e me inspirou a dar UMA informação sobre toda a crise que eu tenho certeza de que escapou a muitos:

José Dirceu discursava em alguma das CPI e declarou - como um desafio aos 293 deputados da platéia: "Vocês SABEM que o mensalão nunca existiu!" No plenário da Câmarados Deputados, em 1º de dezembro de 2005, foi aprovada a cassação de Dirceu com o seguinte placar: 293 votos a favor da cassação x 192 contra a cassação. Precisa de mais alguma "prova"?
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Se eu não procuro,
também não sou procurada.

Uma hora me culpo,
Na outra me sinto largada.
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Era eu loura, linda e bela.
E vestia uma toga amarela.
Passei pela praça um dia,
decidi ir com a maioria.
Tirei a tina d'água da cabeça,
dobrei os joelhos gentilmente,
catei uma pedra do chão
e arremessei-a no pobre coitado da cruz.

Só pode.
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µ [renascida e rebatizada] diz:
vc tem o direito do desinteresse, eu tenho o direito da mágoa
µ [renascida e rebatizada] diz:
não sei como chamam a gente de seres sociais, tudo o que fazemos nos afasta!
[...]

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Então, ainda não consegui me pronunciar digitalmente sobre o show da minha vida. Talvez exatamente porque tenha sido o show da minha vida mesmo.

É de conhecimento popular que é muito mais fácil expressar melancolia e descrever sentimentos de depressão, tristeza, descontentamento e outros percalços desse gênero que a vida teima em nos presentear. Mas como é complicado verbalizar coisas que tiram-nos do eixo tão positivamente, é difícil demais mostrar felicidade sem ser barango, clichê, ridículo, sem soar um pouco falso e, o pior de tudo, conseguindo ser levado a sério e fazendo com que os outros realmente valorizem a sua alegria sem pensar no próprio umbigo que inveja qualquer felicidade alheia.

De qualquer foram, apesar de só falar disso na última semana, o vocabulário para expressar tudo o que aconteceu é resumido, mínimo, de baixo calão, curto e grosso: foi foda. Putamerda foi ducaralho demais, demais, demais.

Agora mesmo eu estava aqui lendo a cobertura do Omelete e revivendo aquilo tudo e meu olho encheu de lágrimas e um sorriso bobo tomou conta do meu rosto. É inexplicável. Só quem viveu soube mesmo.
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