Fui convocada para um reunião. "É importante, porque você vai ser o centro das informações a partir de agora", eles dizem. Eu vou. Eu não me sinto confortável no meio de muitas mulheres. Eu estou frustrada com um milhão de coisas. Eu tenho muitas outras coisas a fazer além da reunião. A reunião dura uma hora e meia que parecem quatro. Apenas duas coisas são decididas a serem feitas: uma que não serei eu a fazer e a outra que me obrigará a fazer hora-extra no dia do meu namorado. Tão apática, só fui fazer contas depois. Questionam a minha postura na reunião. Questionam a minha postura no computador. Querem saber a minha visão política. Eu reclamo do meu aumento salarial, do meu local de trabalho, das minhas horas-extras, das críticas initerruptas, do um milhão de idéias minhas que vão diretamente pro lixo só porque não são deles. Eles passam a mão na minha cabeça e dizem que "tudo vai melhorar". Eu me sinto um cachorrinho, uma criança de cinco anos, uma estagiária imbecil, um décimo do cu de um mosquito, um grão de areia. Sinto-me cinza.
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