A tristeza passa, se a paciência perdura.
A humilhação se esvai, depois que o orgulho é nulo.
O amor se recila, como fica velho o luto.
A transformação será nítida quando dela vier o lucro.
Historicamente, eu corro atrás de você. Historicamente, estava eu neste mesmo período do ano passado pedindo e implorando que você fosse meu namorado. Mas eu sinto que eu nasci para mudar a história, por isso vivo mudando a minha.
Em clima de fim de ano, uma das músicas que vai sempre me lembrar de 2008.
Curto a música mesmo, acho que por causa da letra que fala do amor do jeito que se costuma falar entre quatro paredes: fofo e cheio de promessas, mas com uma pitadinha de sacanagem.
Osvaldo comemorou muito o dia em que conseguiu seu emprego em uma grande corporação. Salário alto, benefícios, trabalho mecânico, só precisava comprar dois ternos, cinco camisas e duas gravatas e estava pronto para começar sua grande carreira.
Ao chegar no escritório, curtiu a idéia de trabalhar entre Solange e Marília, além do quê, a máquina de xerox ficava ali perto e a moça da ginástica passava todos os dias para fazer aulas de alongamento, a vida não poderia ser melhor.
Seis meses depois, a idéia de se barbear diariamente começou a incomodar, mas o que realmente irritava Osvaldo era que Marília nunca ia nas happy hours. Secretamente, ele amava Marília, queria poder entrar em um projeto da empresa com ela, adquirir mais intimidade, convidar para almoçar juntos e tudo. Mas foi aquele fala mansa do Renato quem foi convocado para a força-tarefa.
Com o passar dos meses, a força-tarefa sugou tanto de Renato que Osvaldo foi obrigado a assumir o trabalho dos dois. Foi aí que a barra começou a pesar. Ainda mais que a chata da Solange não conseguia entender que o que tinha acontecido na festa de Natal era culpa do álcool e não se repetiria nunca, NUNCA.
Aí o Osvaldo adoeceu e descobriu que o convênio não era lá essas maravilhas. E um dia, passando pela sala do café, ele ouviu a Solange e a Marília fazendo piadinhas sobre seus ternos repetidos. E o chefe chamou para reclamar que o trabalho do Renato estava atrasado, e isso não podia acontecer, ah, e Osvaldo, tá esquecendo de se barbear, é?! Pode não, rapá!
Bufando de raiva, Osvaldo decide virar a noite para adiantar o trabalho do puto do Renato que, certamente, naquele exato momento, deve estar comendo a Marília. E a barba fica por fazer. E o chefe reclama das horas-extras. E a Solange pede para trocar de mesa com o Júlio, alegando que o Osvaldo estava à beira de assediá-la, o que resulta em mais uma advertência. E ainda chega o Renato, derruba os papéis de sua mesa, não percebe, não se desculpa, cata os papéis como se fosse um enorme favor e ainda sussurra que a sorte do Osvaldo era que Renato tinha tido uma ótima noite de descanso, além de uma promoção. O que mais Osvaldo poderia fazer?
Eu tô andando do escritório até A Obra. Tem um cara aleatório me seguindo e me falando provérbios aleatórios do tipo "pimenta no olho dos outros não arde" ou "quem tudo quer tudo perde" ou "quem com ferro fere com ferro será ferido" e mais um monte dessas pérolas que a sabedoria popular parece nunca esquecer. Mas eu não presto muita atenção no cara, afinal de contas eu sei que estou sonhando. Eu costumo saber quando estou sonhando assim. E lá vou eu descendo a Av. Getúlio Vargas, respirando o ar noturno de Belo Horizonte e ignorando o cara aleatório dono das verdades populares. Na porta dA Obra, uma fila só de conhecidos, todo mundo muito apressado para entrar e ninguém me nota, a não ser o Sr. Estou-todo-dia-na-Obra que me puxa para o lado com um papo completamente estranho à pessoa. Então chega o cara aleatório e grita "Camila, acorda! Vai tocar uma música muito legal agora!"
Eu acordo. E, no exato momento que eu abro o olho, começa Extraordinary Machine, aka a minha música. Eu não acordei porque ela estava tocando tipo quando a gente sonha que o telefone está tocando e acorda pra ver que ele estava tocando realmente. Eu acordei PARA ouvir essa música. Dá até medo.
Sempre respondo ter 19 anos. E já tem seis anos que não tenho mais essa idade. Mas, sabe, essa é uma discussão meio boba. É que a Dr.A. pediu para pensar sobre os motivos que me fazem pensar que até hoje tenho 19 anos. Obviamente, a resposta que ela procura é que eu tô meio estacionada lá até hoje.
Mas não é bem assim, néam? Aquela foi realmente uma idade mágica, sensacional, uma das épocas que eu mais VIVI, mas nesses seis anos aconteceu muita coisa e eu fui me transformando em uma pessoa bem mais bacana, enquanto a prepotência sai aos poucos e a nerdice é cada vez mais assumida, desenvolvi muito minha habilidade social.
Enfim, o que quero dizer é que não me sinto presa nem estagnada, mas se eu continuar fritando sobre isso, certamente mudarei de idéia.
São três e quarenta e dois da manhã, ser mais acordada que eu não existe em Belo Horizonte. Das noventa e duas janelas que eu posso ver sentada na cadeira do computador, as únicas quatro acesas são nas escadas do prédio ao lado, além das duas janelinhas de banheiros que tradicionalmente dormem acesas.
Sim, eu contei. Aliás, é hábito meu contar essas janelas que poderiam me ver, mas como (quase) ninguém pára nelas, sou eu quem vejo todos esses retângulos envidraçados diariamente.
Ainda bem que tem gente que procura clipes legais na internet e compartilha, néam?! Ainda bem que tem gente muito criativa trabalhando para gente muito colorida e fazendo clipes legais para a gente assistir na internet, néam?!
Desde que eu comecei a entender o que é Web 2.0, venho idealizando que todas as possibilidades que a tecnologia trouxe provocará uma mudança de atitudes na população que criarão um mundo melhor. Agora alguém conseguiu explicar porque eu penso isso. Quem me dera fosse eu.
Todos os pais são bobos com os filhos e muitos filmam coisas "engraçadinhas" e muitos se dão mal nessa. Mas essa menina é fofa demais! Eu quero uma assim!
Aqui vai um texto engraçadinho que tenta explicar que este blog vai ser bem despretensioso, sempre na tênue divisa entre a arrogância e a ignorância com uma pitada de bom humor e auto-depreciação comum a minha pessoa. ;)
SOBRE A AUTORA
Aqui eu vou me descrever misteriosa e poeticamente, deixando mais ou menos claro algumas polêmicas e a origem de todos os meus codinomes - aproveitando o espaço que der para linkar meu currículo e, quem sabe um dia, um ou dois portfólios.